Uso de Compressores

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03012009

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Eu estou postando um texto q li em uma revista.<<<<

DICAS PRÁTICAS PARA O USO DE COMPRESSOR

Noventa por cento de uma mixagem consomem dez por cento do tempo. Você vai levar os outros noventa por cento do tempo pra resolver os dez por cento finais.

>>>Comprimindo

De todos os aspectos envolvidos em gravação e mixagem, acredito que seja a compressão e o uso dos compressores o que mais apresenta dificuldades para o pessoal iniciante. É o que percebo nas mensagens de e-mail que constantemente recebo. Por isso acho interessante fugir um pouco ao padrão deste guia e rever os aspectos teóricos e práticos do uso desses importantes equipamentos.

Acho que o problema com os compressores já começa no nome: embora comprimir esteja cheio de boa vontade, convenhamos que dá uma idéia negativa pra função. Tudo bem que redutor de dinâmica também não ajuda muito, então vamos convivendo com o nome infeliz. Vejamos o caso dos expansores, por exemplo, que são o inverso dos compressores. Qualquer cantor vai adorar a idéia de ter sua voz expandida, mas experimente falar que vai comprimir e prepare-se para os olhares enviesados.

O que o compressor faz é justamente reduzir a faixa dinâmica de um sinal de áudio. Portanto a primeira pergunta deve ser se devemos ou não comprimir um determinado sinal. Por que é necessário reduzir a dinâmica? Comprimir torna mais fácil estabelecer um volume mais constante no equilíbrio.

Por que comprimir?

Existem dois motivos básicos para comprimir:
1. Para reduzir as variações de volume do track;
2. Para efeitos especiais.

Quando o sinal tem excesso de diferença entre seus momentos mais altos e mais baixos, fica difícil fazer esse instrumento ficar presente na mix. Lembra do nosso arqui-inimigo, o Mascaramento? Pois é, lá vem ele entrando em ação de novo. Quando o volume de um track varia muito, ele é ora mascarado, ora não, fazendo com que fique entrando e saindo da mix. Comprimir reduz a diferença entre pianíssimos e fortíssimos, tornando mais fácil pra gente estabelecer um volume mais constante pra ele no equilíbrio.
É claro que, com as facilidades de automação de volumes disponíveis hoje em dia, alguém pode argumentar que é possível substituir os compressores por uma boa e cuidadosa automação de volume, mas isso só em parte é verdade. Teoricamente isto bastaria para manter a dinâmica do canal, mas cada compressor ao lado de meramente controlar o volume imprime também suas próprias características sonoras ao material gravado, adicionando um colorido único que acaba se tornando um efeito por si só.

Pois é, se já não bastasse a gente ter que decidir quando comprimir e como ajustar os parâmetros de compressão, agora ainda temos a chance de escolher que compressor (marca e modelo) se adapta melhor ao som.

Mais à frente voltaremos ao qual. Por enquanto, se decidimos que vamos comprimir um canal, vejamos como obter bons resultados.

Uma relembrada
Só para sacudir a poeira dos neurônios, vejamos rapidamente a função dos controles típicos de um compressor.

Por princípio de funcionamento, um compressor é um equipamento que reduz o nível de um sinal quando ele ultrapassa um determinado volume. Assim, precisamos antes de mais nada de:

Threshold - especifica que volume é esse a partir do qual o nível deve ser reduzido.

Ratio - diz de quanto deverá ser esta atenuação. É estabelecido na forma de uma proporção. Por exemplo, quando um sinal entra no compressor e seu volume está acima do threshold, se escolhemos uma ratio de 2:1, então para cada incremento de 2 dB no sinal que entra, na saída o incremento será de apenas 1 dB.

Um caso mais prático: normalmente os compressores arranjam um meio de nos mostrar qual é a redução de ganho em dB que estão realizando a cada instante. No caso acima, se o nosso threshold foi colocado em 0 dB e chegou um sinal com intensidade de +6dB, na saída a intensidade será +3dB e o medidor de redução de ganho mostrará -3dB, pois foi quanto volume foi roubado do sinal. Se mudássemos a Ratio para 3:1, a saída cairia para 2dB e a redução de ganho subiria para 4dB.
Attack - é o tempo que um compressor leva para reagir ao fato de o sinal ter ultrapassado o ponto de Threshold. Ou seja, o quanto ele leva para de fato começar a comprimir. Com valores de Attack muito lentos, por exemplo, a baquetada de uma caixa de bateria passará sem compressão mesmo que seu volume ultrapasse o Threshold.

Release - o inverso, o tempo que o compressor leva para deixar de atuar uma vez que o sinal caia abaixo do Threshold.

Muitos compressores nos fornecem a função auto, que ajusta para nós esses dois parâmetros de acordo com a característica do sinal. O botão de Auto não deve ser discriminado, pois não indica que você foi preguiçoso ou não quer ajustar Attack e release, mas sim um importante aliado, pois normalmente oferece um comportamento natural ao compressor.

Casos Práticos
Vejamos algumas sugestões de compressão:

1) Contrabaixo: Juntamente com os vocais, são os instrumentos que mais se beneficiam da compressão. Ela vai permitir um plano de graves mais estável na mixagem e diminuir a diferença entre a intensidade das cordas graves e das agudas. Normalmente usam-se ratios na casa de 4:1, comprimindo por RMS e com redução de ganho na casa de 3 a 6 dB. Para evitar o pumping (aumento de chiado entre notas longas), basta aumentar o tempo de release. Para slap bass os tempos de Attack e Release deverão ser ajustados para deixar o compressor sensível às rápidas variações do sinal.

2) Voz: É o instrumento com maior variação de dinâmica e, ao mesmo tempo, o que deve ficar audível o tempo todo em uma mixagem. Por isso é comum comprimirmos na gravação e na mixagem. Além disso é um dos poucos instrumentos em que a distância ao microfone varia constantemente. Uma aplicação típica envolve ratios de 1,5 a 2:1, com o Threshold bem baixo. Um ajuste típico é do tipo leveler, em que se usa o Threshold muito baixo e uma ratio bem leve (1,5:1).
Se a compressão puxar ruídos de baixa freqüência, experimente filtrar o sinal antes da compressão. Muitas vezes os compressores de resposta mais lenta como os valvulados acabam aumentando a sibilância (pois esta recebe o aumento de ganho sem ser comprimida). Nestes casos é conveniente aplicar um de-esser depois do compressor. O ruído de respiração (breathing) pode ser controlado a partir do ajuste do release.

3) Bateria:
A caixa da bateria pode se beneficiar bastante da compressão, se bem usada. Ouça todas as caixas das mixes do Tom Lord-Alge (tipicamente o Wallflowers, a Sarah MacLachlan, Avril Lavigne e Blink 182), por exemplo, e veja o que um compressor pode fazer para ajudar.
Para a caixa (e também para os tons), a função básica do compressor será aumentar a ressonância do tambor e as ghost notes em relação ao pico inicial da baquetada. Para isso deve-se ajustar o tempo de Attack para valores mais altos e o Release deve ser suficientemente curto para liberar o sinal antes da próxima nota.
No bumbo pode-se usar a mesma filosofia da caixa. Em muitos casos precisamos deixar o nível do bumbo constante e para isso podemos usar um limitador. Variando o tempo de attack podemos controlar a presença da maceta em relação à ressonância. Nos pratos, pode-se usar um compressor estéreo para aumentar a duração da ressonância na mixagem.
Para instrumentos de percussão em geral, pode-se aplicar a mesma filosofia, usando o compressor para puxar as ressonâncias e detalhes como os efeitos de mão nas congas. Mais adiante iremos dedicar uma boa parte de nossa atenção ao uso dos limiters.

4) Instrumentos em Geral: Instrumentos de base - guitarras, pianos, violões, etc. - irão se beneficiar de compressões leves e médias, pois manterão níveis mais constantes. Instrumentos solistas podem receber valores maiores de compressão para garantir que se projetem na mix. O cuidado básico será evitar o exagero para não comprometer a dinâmica da música.

rickmarques10
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Uso de Compressores :: Comentários

Mensagem em Dom Jul 05, 2009 5:03 pm por madok

Excelente tah de parabéns!!

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Mensagem em Qua Jul 29, 2009 8:22 am por dinhospd

Muito bom mesmo! obrigado!

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Mensagem em Seg Ago 03, 2009 2:48 pm por julianotorres

Uma outra dica para uso do compressor na voz é utilizar a configuração do Ratio em 5:1 e manter o release e o atack rápidos, assim você consegue manter a voz dentro da mixagem mesmo com dinâmicas tão diferentes das vozes, o ajuste do Threshold pode ser feito no ponto onde a dinâmica da voz é menor.
Esta técnica já era utilizada desde a década de 70, escute Janis Joplin e reparem que hora ela grita e hora ela sussura na música, mesmo assim a voz se mantem presente nos dois casos.
É muito importante utilizar um bom plugin de compressor para chegar neste resultado, eu particularmente tenho utilizado o R-Comp da Waves e logo após mando em um RVox da Waves também, o resultado é excelente.
Abraços

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Mensagem em Sex Jan 29, 2010 3:00 pm por ligeirinhos

legal esse texto, sempre tive vontade de aprofundar neste tema e hoje tive tempo e a oportunidade, parabéns pelo texto. muito bom. Smile

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Mensagem em Seg Out 07, 2013 9:30 am por arthuremanuel

Valeu, cara.
Muito bom seu artigo.
Só faltou falar dos tipos de compressores mais adequados a cada som.

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Mensagem Hoje à(s) 1:28 pm por Conteúdo patrocinado

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