Elaboração de músicas no computador: Como começar

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11012009

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default Elaboração de músicas no computador: Como começar




Parte 1 - Introdução ao artigo e Composição

Depois de um tempo batendo cabeça, consegui estudar um pouco mais, li uma porrada de manuais e de livros de referência, e acho que posso contribuir para quem está efetivamente iniciando. A galera mais evoluída pode achar o texto um pouco chato, mas talvez até encontre algo legal.

As fontes bibliográficas principais para este artigo foram The Mixing Engineering’s Handbook, de Bobby Owsinski, Sound Advice on Mixing, de Bill Gibson, e Mastering Áudio, the Art and the Science, de Bob Katz.

Além desses, diversos artigos de Craig Anderson, disponibilizados no site www.harmony-central.com, os tutoriais do www.audiobrasil.chocoforum.net e os manuais dos programas Reaper, Cubase, PSP Vintage Warmer 2, Native Instruments FM8 e Battery3, Autotuner 4 e o pacote Elemental Áudio (Equium, Firium, Neodinium, Inspector IXL) também foram consultados.

O foco deste artigo é descrever sucintamente as etapas principais que devemos levar em conta ao elaborar uma canção no universo digital. Alguns termos técnicos são explicados, outros subentende-se que você saiba, mas qualquer busca no google ou na wikipedia resolvem suas dúvidas. É importante deixar claro que cada pequeno tópico abaixo na verdade possui uma gama enorme de conteúdo que foi apenas superficialmente mencionado neste texto. O importante é mostrar o que é preciso fazer para começar.

Podemos dividir a elaboração musical digital em 10 conceitos principais, que estão interligados intrinsecamente.

1) Composição
2) Arranjo
3) Programa Host
4) Hardware
5) Gravação
6) Instrumentos VST
7) Efeitos VST
8) Automação
9) Mixagem
10) Masterização

1) Composição é com você, que música você quer fazer, que idéias quer passar. Acho uma atividade pessoal. Há alguns livros que dão dicas de como compor, mas cada pessoa tem sua maneira. Eu em geral cantarolo algum trecho de música que acho que é inédito (ao menos daquela forma que pensei), tento desenvolver a idéia em termos de notas e depois preparo a letra. Às vezes escrevo um poema e depois disso tento pensar qual seria a melhor forma de apresentar este poema, e crio a canção. Outras vezes tento juntar uma letra antiga a uma música nova, e vejo se a junção é possível. Muitas vezes é!


Rascunho de uma letra

Basear-se na idéia de outras pessoas é outro procedimento comum. Tomar por base uma amostra (sample) de outra música, um pedaço como o refrão ou o solo de guitarra e construir uma nova música em cima dela pode ser interessante. Samplear, no entanto, pode também tomar exemplos mais estranhos para construir as músicas, como uma buzina de carro, um choro de bebê, e por aí vai. O importante é ser criativo e fazer uma música que agrade a você mesmo. Se os outros gostarem, ótimo, quem sabe você não lança um sucesso?
Outra forma de elaborar músicas, especialmente para música techno e alguns tipos de instrumentais, é através de loops. Os loops são um pequeno trecho de áudio (ou MIDI) que você repete diversas vezes na música. Uma bateria convencional, por exemplo, pode quase sempre ser emulada por um loop, exceto em uma virada, mudança de andamento ou para um excelente e supercriativo baterista (Neil Peart faz com que as músicas do Rush tenham muito poucos loops de bateria; aliás que espetáculo prestar atenção na bateria que o cara toca). Uma base de guitarra simples, com duas ou 3 notas que se repetem em uma grande parte da música, também forma um loop. Um riff de qualquer instrumento também pode ser trabalhado como um loop. O provavelmente mais famoso riff do mundo é um loop, aquela guitarra da música Satisfaction, dos Stones. Repetindo loops e unindo distintos loops é uma maneira de compor também.


Loops de Midi e de som wave


Última edição por allneri em Dom Jan 11, 2009 2:24 pm, editado 2 vez(es)

allneri
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uma verdade: : If you choose not to decide You still have made a choice... I will choose free will!
uma música boa: : Hallowed be Thy Name - Iron Maiden
uma música ruim: : techno (ou dance ou trance, nunca sei, som de boate!)
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Mensagem em Dom Jan 11, 2009 1:27 pm por allneri

Parte 2 - Arranjo e Programa Host

2) O arranjo é um aspecto que de certa forma faz parte da composição, mas que muitas vezes é negligenciado. O arranjo seria definir que instrumentos vão participar de sua música, quando e como. Eu acho que o arranjo define o estilo da música, mais do que a composição. Eu gosto de rock estilo Maiden, Primus, Ramones, Pink Floyd, Rush, mas tenho prazer em ouvir outros estilos também. Roberto Carlos, independente de gosto musical, compõe, na minha opinião, umas músicas bem legais. Ele e Erasmo fazem bons refrões, eu sempre imagino Lady Laura cantada pelo Joey Ramone com um sotaque engraçado, mas o arranjo dele em boa parte de suas canções me desagrada demais, aquela orquestra me dá arrepios, não consigo ouvir sem querer vomitar ...
Tem uma música do Bruno e Marrone que eu adorava tocar no violão, apesar de odiar ouví-los cantar, e que depois virou uma música maneiríssima numa versão em espanhol, "Se não tivesse ido". Uma mesma composição pode virar várias músicas diferentes, depende do arranjo. A turma do techno que o diga! A única música techno que eu sempre gostei foi a música Because Tonight, e depois eu fui escutar a versão original, muito melhor, um punk pop de Patty Smith. Em algumas músicas minhas acontece que eu mesmo penso em dois arranjos diferentes.


Arranjos diferentes: Versão Metal e versão Pop romântico da música Nosso Fim

E você já foi no Carnaval, Micareta, etc.? Bom se não foi, recomendo ir solteiro, que vale a pena, "o axé vende beijo na boca", li numa reportagem dia desses. De todo jeito, o que a turma do axé faz é alterar o arranjo das músicas para que tudo se encaixe no seu padrão, então rola rock, sertanejo, forró, pagode, tudo em ritmo de axé. Arranjo é uma etapa da composição que vai além de criar música e letra, e às vezes pode arruinar ou consagrar uma mesma música. O Arranjo também tem muita relação com a mixagem, como veremos depois.

3) Seja compondo, seja tocando música de outras pessoas em sua versão, seja sampleando, no mundo da música digital você vai precisar acima de tudo de um programa host, um programa que chama as demais funções. Eu uso bastante o CUBASE porque veio com um pedal que comprei, e pelo visto é o mais difundido, mas há no mercado umas 2 dúzias para se escolher. Cubase, Reaper, Sonar, Soundforge, Fruit Loops, etc. Depois de ver os administradores do fórum audiobrasil.rg3.net babando pelo Reaper, no entanto, eu resolvi tentar usá-lo, e de fato pude perceber que ele tem algumas vantagens incontestes. Recomendo usá-lo pelo fato de ser pequeno, muito estável e de poder trabalhar no pendrive. Todas as minhas músicas andam comigo para eu editar onde quiser e como quiser!
O programa Host oferece uma ambiente que manipula os pedaços de música gravada ou os trechos em MIDI e os une, de forma a construir a canção como um todo. Além disso, ele permite chamar os elementos (gravações wave, efeitos VST, etc.) que participarão ativamente da construção da sua música.


Cubase LE e Reaper

Use o programa host que você quiser, mas é preciso atentar para suas particularidades. Alguns programas usam elementos tipo VST (em efeitos e instrumentos eu explico melhor), outros usam tipo RTA, outros ainda o directX, e deve ter mais alguns padrões que eu não conheço. VST é um padrão feito pela Steinberg, fabricante do Cubase, eu já vi RTA com o pessoa da M-Audio, e directX é aquele padrão Microsoft muito usado em jogos mesmo, mas acho que o VST é o mais difundido para áudio. Alguns produtos são exclusivamente RTA, outros exclusivamente VST, outros somente directX e sei lá mais o quê, portanto isso vai fazer alguma diferença. A maior parte, porém, é feita para funcionar em todos os ambientes, você escolhe durante a instalação.
Com o programa host definido, tem que ler seu manual – em inglês geralmente – para saber como operá-lo (o Cubase tem a vantagem de ter um tutorial em português no fórum audiobrasil.rg3.net). O programa host permite que você grave as faixas que quer na música com cada instrumento desejado, e controlar praticamente todos os efeitos que você pode imaginar para tratar sua canção. Ele tem que enxergar seu hardware de áudio também, e por todos esses motivos ler o manual é fundamental. Aspectos de como gravar, como alterar o tempo da música, como carregar parâmetros e afins só se aprende testando e estudando. Isso não tem muito como ajudar, a não ser com manuais e tutoriais.

Última edição por allneri em Dom Jan 11, 2009 3:41 pm, editado 2 vez(es)

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Mensagem em Dom Jan 11, 2009 1:43 pm por allneri

Parte 3 - Hardware e o processo de Gravação

4) Quando falo de hardware, nem estou me preocupando com seu computador nem com sua placa de áudio. A maioria dos computadores modernos tem placas suficientemente adaptadas para as condições atuais, mas se você ainda opera uma carroça, fica difícil. Não sei qual o mínimo, tem que ver cada programa, mas acho que qualquer coisa pós 2004 já consegue se virar com quase tudo que existe hoje. Se você tem problemas com seu processador ou placa de áudio, melhor buscar uma bibliografia mais especializada, eu não vou poder ajudar.
Quando falo de hardware, minha preocupação específica é com quem toca um instrumento analógico, ou seja, uma guitarra, um violão, baixo, ou mesmo um cantor. Em geral é possível se conectar diretamente na placa de áudio original, através do microfone interno do micro ou da entrada auxiliar, mas em geral esta entrada não possui amplificação, e o sistema fica muito frágil, com ruídos demais ou com filtros de freqüência que prejudicam sua gravação. Eu não gostei do resultado.
Há algumas placas especiais que facilitam este processo e são rápidas porque rodam internamente, mas são caras. Sugiro um pedal de efeitos com conexão USB ou algum equipamento específico que efetue esta conversão do sistema de som real (analógico) para o sistema digital dos computadores. Eles são mais acessíveis que as placas de som especiais, e aprimoram bastante a forma com que a música é gravada (comparando com a entrada auxiliar normal). O nome genérico deste tipo de equipamento é conversor analógico digital. Eu usava um pedal ZOOM B2.1u com saída USB, mas agora uso o Fast Track Pro, da M-Audio, também USB, fica melhor e me atende muito bem.
Quem toca teclado deve adquirir um equipamento que funcione como controlador MIDI, porque isso vai ser bastante útil quando falarmos dos instrumentos VST. Eu não sou tecladista, mas comprei um para me ajudar, com 25 teclas apenas, e vários botões para controlar automação (daqui a pouco eu falo disso também).




Fotos do Fast Track Pro, do teclado Midi e do pedal B2.1u

Outro aspecto importante para se falar dentro do tema hardware é o atraso na resposta entre o instante em que você toca e o momento em que o micro envia o sinal para a saída (fones, auto-falantes), em inglês latency. Este efeito depende da qualidade do seu micro, da sua placa de som e do seu sistema de conversão analógico-digital, mas se tiver problemas com isto, saiba que é possível ter alguma flexibilidade ajustando no programa host. Alguns aplicativos VST também podem produzir atrasos.


Tela de latência do Fast Track Pro

5) Na gravação, tomar cuidado com a afinação dos instrumentos. Parece óbvio, mas a gente encontra cada coisa! Melhores instrumentos, melhores microfones e melhores máquinas são tópicos importantes. Procure também se cercar de um ambiente em que a acústica seja adequada, o que na prática significa que é bom gravar em um local silencioso e afastado, onde apenas o que você quer intencionalmente que apareça na música seja registrado. A configuração física da sala também impacta, reverberações e afins, mas para um estúdio em casa, o que tiver está bom! Uma dica boa ao gravar voz e evitar ecos indesejados é gravar perto do guarda-roupas com a porta aberta (um guarda-roupa cheio de roupas, claro!), pois as roupas atenuam reverberações.
Normalmente se grava apenas uma faixa por vez, então se você está com uma banda cada um vai ter que esperar sua vez para ser gravado. Eu lembro de um disco do Iron Maiden que teve o baixo e a bateria gravados no Caribe e as guitarras e o vocal na Holanda (aliás, discasso, é o Somewhere in Time)! Há maneiras de gravar ao vivo num micro (todos os instrumentos simultaneamente) com qualidade, mas é preciso uma mesa de som ou um conversor multicanais e/ou muitos microfones bem posicionados. Eu só testei no Reaper voz e guitarra juntos, cada um num canal do Fast Track Pro (ele só tem 2 mesmo!), mas acho que a maioria dos programas consegue processar isso, só não recomendo porque num ambiente acusticamente não tratado há às vezes vazamento do som. Ademais, nestes casos é mais fácil seu computador sofrer para processar tudo junto.


Instrumentos

A gravação é, de certa forma, a concretização do arranjo, ao mesmo tempo em que se começa a mixagem. Eu gravo a guitarra e o baixo já com alguns dos efeitos que eu quero, através dos meus pedais. Também poderia gravar o som cru e deixar para a mixagem toda a tarefa de fazer os efeitos e distorções e afins. Do jeito que opero eu fico preso de um lado, pois se eu não gostar do resultado de uma certa distorção, terei que gravar novamente; e livre do outro, pois se escolhi direito, não preciso perder esse tempo na mixagem (além de ter de antemão os ajustes que usarei caso venha a tocar ao vivo aquela música). Eu particularmente gosto de definir os timbres dos instrumentos durante a gravação. Quando o produtor do álbum também é o engenheiro de mixagem, ele em geral faz isso também. Na mixagem, apenas se aprimoram alguns detalhes. Você pode decidir diferente, se quiser, e fazer do seu jeito.
Um detalhe também importante para quem está iniciando, quando grava uma guitarra, violão e afins é o processo de gravar com microfone ou gravar em linha. Este detalhe é essencial para quem tem uma caixa acústica/amplificador de qualidade, como uma Fender, Marshall, etc. O som que sai dos alto-falantes é diferente do som que sai da linha (line) porque ignora as reverberações e a equalização naturais do gabinete. Gravar com microfone aumenta o ruído, mas o som gravado é mais parecido com o que você está esperando, evitando surpresas desagradáveis. Minhas caixas de som não são das melhores, portanto geralmente gravo em linha, mas sei que faz uma diferença tremenda quando se usa melhores equipamentos.



Gravação com microfone

Por fim, minha recomendação para quem está iniciando é efetuar todas as gravações em mono (o som das caixas esquerda e direita são 100% idênticos) e caso queira um efeito estéreo (os sons das caixas esquerda e direita possuem diferenças perceptíveis) no instrumento, trabalhar durante a mixagem. Se você quer gravar em estéreo, boa sorte, talvez o som fique melhor mesmo!

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Mensagem em Dom Jan 11, 2009 2:16 pm por allneri

Parte 4 - Instrumentos VST, efeitos VST e Automação

6) Para quem tem um teclado MIDI, a gravação também pode ser feita utilizando um intrumento VST. Os instrumentos VST (como disse, podem ter outras terminações, vou usar VST por ser a que conheço e por ser a que mais tem aplicativos) são simulações de instrumentos reais, seja através de amostras (samples) gravadas e editadas, seja através de sintetizadores. Você instala o VST que quer, e seu programa host pode usá-los na elaboração/edição das músicas. Caso você não tenha um teclado MIDI, é possível usar uma tela específica do programa host para editar, usando o mouse. É preciso adicionar uma faixa midi para cada instrumento VST que se deseja trabalhar. O modo de editar cada instrumento VST vai depender de seu programa host, mas tipicamente é uma tela com um teclado virtual na vertical e o tempo ou as batidas da faixa na horzontal.


Editores Midi do Cubase e do Reaper

O fórum audiobrasil.rg3.net tem várias opções de baterias e sintetizadores, veja "Os 10 plugins essenciais". Eu comecei usando muito a bateria do Cubase, a LM-7, fraquinha porém honesta, e o sintetizador disponibilizado, o Universal Sond Module, USM, cujos timbres são bastante rudimentares. Hoje estou utilizando dois produtos Native Instruments, o Battery 3 e o FM8, mas mas eles são bem mais complexos que o LM-7 e USM, pois possuem muitas opções. Para saber como usá-los plenamente, leia o manual respectivo com cuidado.
O uso dos instrumentos VSTs é uma das melhores maneiras de elaborar os loops. Eu uso bastante em teclados e na bateria para fazer meu arranjo.

7) Outro grupo de VST são os efeitos, que atuam sobre faixas de áudio. No Cubase existem 3 modos de usar efeitos, os insert effects, send effects e master effects. No Reaper é preciso criar um faixa especial para trabalhar com os send effects, mas o resultado é o mesmo.
Alguns programas usam o nome aux effects para os sends. Mais uma vez, leia o manual. Li algumas entrevistas com engenheiros de mixagem famosos, e vi que em estúdios profissionais na prática os tipos são os mesmos, às vezes eles usam o nome track effects para insert effects, bus effects ao invés de master effects, enfim, apenas nomes, no final das contas são estes 3 tipos mesmo.
É interessante usar send effects caso o efeito em questão possa ser aplicado praticamente da mesma forma em várias faixas diferentes. Um compressor para aumentar o volume geral (loudness) das faixas, um limiter para para cortar picos em 0dB, um reverb que todos ou muitos instrumentos vão usar. O send effects pode ser controlado em cada faixa de modo independente através da mixagem de sinais. No Cubase, isso é feito com um barrinha que controla o uso do Send effects em cada faixa. Em 0, o sinal original da faixa não é alterado, em 100%, a saída é 100% o sinal alterado pelo Send Effects, valores intermediários misturam um percentual do sinal original não alterado com um percentual do sinal processado pelo Send Effects. O Reaper tem um processo similar, que pode ser controlado na faixa especial do send ou em cada faixa separadamente.
O Insert effect tem aplicação mais restrita, mas permite maior controle. Os efeitos são os mesmos, mas no insert você pode ajustar especificamente para aquela faixa de áudio, de modo dedicado. Uma compressão especial e intensiva, com release diferenciado na faixa da bateria, um reverb exclusivo para o vocal, uma distorção na guitarra (caso você já não grave distorcido) ficam muito bons como insert effect.
Os Master effects são efeitos que são aplicados ao conjunto da obra, ao som integral. É um efeito de pré-masterização mesmo, ou de finalização da mixagem, antes de terminar o processo. Apesar de ser possível usar praticamente todos os efeitos, é importante lembrar que um master effect vai atuar na totalidade da música. Em geral nesta etapa o uso acaba sendo mais específico, com um limiter para grampear os picos da mixagem e uma equalização dedicada. Uma compressão final também pode ser utilizada com bons resultados, além de efeitos que inspecionam o sinal.


Alguns efeitos VST

Distorção, Flanger, Compressor, reverber, Equalização, tremolo e todos os demais efeitos que você pensar podem ser incorporados de modo a alterar o áudio gravado. Esses efeitos têm que ser instalados no micro e, de alguma forma, serem "chamados" por seu programa host. Vide "Os 10 plugins essenciais" novamente para algumas opções de qualidade. Atenção para a leitura dos manuais dos aplicativos, primeiro para saber como usá-los bem, depois para conhecer suas perticularidades. Alguns programas VST podem introduzir atrasos (latency) durante o processamento do sinal, e isso pode causar erros nas músicas.
Eu uso os efeitos padrão que vieram no Cubase e no Reaper, em geral me atendem. Além deles, eu uso muito um pacote da Elemental Áudio com vários produtos legais. Para equalizações especiais como send e insert effects eu estou usando o Equium (seu Creisson son son), e também a equalização que vem com os programas Cubase e Reaper; o Neodinium como compressor multiestágios (não confundir com multibanda) e o Firium como equalização final de master effects (ele gera atrasos mas não cria mudança de fase no sinal como os filtros normais, portanto é excelente como master effect), o InspectorXL para avaliar as características do sinal master e o PSP Vintage Warmer como limitador master. O site harmony-central.com possui alguns tutoriais sobre como utilizar os efeitos nas músicas. Alguns livros sobre mixagem também falam disso. O Mastering Audio de Bob Katz é excelente! Colher idéias de músicas de outras pessoas e usar sua criatividade também são boas referências!

8) Automação me parece ter um nome mal aplicado aqui no ambiente musical, mas enfim, é assim que todo mundo usa, então que assim seja. Automação no linguajar musical significa programar um elemento qualquer de uma faixa de modo que ele se comporte de maneiras diferentes durante a execução da faixa. A melhor maneira de entender o processo é com exemplos: Podemos automatizar o volume da guitarra para ficar mais baixo exclusivamente durante o refrão da música, já que nesta hora outros instrumentos podem ser incorporados. Digamos que durante toda a música o ganho fica em -10dB, mas durante o refrão é reduzido para -12dB. Depois que o refrão termina, o ganho volta para -10dB. Isso é automatizar o volume desta faixa.


Exmplo de automação do volume

Pode-se automatizar vários parâmetros de cada faixa, desde o panning, a divisão do estéreo esquerda direita (quem conhece Interestellar Overdrive do primeiro disco do Floyd sabe uma aplicação massa de panning) até a presença ou não de um efeito VST na faixa. Os ajustes internos de alguns aplicativos VST também podem ser automatizados. O Firium, por exemplo, permite que a automação controle cerca de 50 curvas diferentes de equalização! Com isso é possível passar de um tipo de equalização para outro no meio da música, num crescendo. Enfim, o céu é o limite para a automação, mas na prática o que ela proporciona é um controle programado de parâmetros da faixa.


Exemplo da equalização controlável no programa Firium

Pensando bem, ao imaginar que antigamente esses processos eram gravados com uma pessoa operando os botões, acho que o nome automação é realmente apropriado!

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Mensagem em Dom Jan 11, 2009 2:52 pm por allneri

Parte 5 (e também a parte final) - Mixagem e Masterização

9) A mixagem é uma das etapas mais importantes da elaboração musical. Com cada um dos instrumentos gravado, é hora de juntar tudo e preparar a versão integrada da música. Um instrumento bem tocado ou uma voz bem gravada é como um ingrediente de qualidade para fazer o bolo, mas sem o processo correto par unir estes elementos, o resultado pode ser desastroso.
A mixagem é a continuação do arranjo, e eventualmente pode entrar em conflito com o mesmo. Neste caso, para o bem da sua música, priorize a mixagem! Arranjos muito incrementados às vezes têm efeitos contrários aos esperados, e podem deixar a música embaralhada, confusa, em que nada consegue aparecer.
A primeira imagem que se deve ter em mente é que a mixagem é subtrativa. Para que todos os instrumentos tenham espaço na música, não dá para cada um ser o mais importante. Ou todos coexistem, ou o resultado é uma bagunça.
Tomando por base os capítulos do livro The Mixing Engineers Handbook, há 6 grandes pontos a se atentar durante uma mixagem: Balanceamento, panorama, equalização, dimensão, dinâmica e interesse.

9.A) Balanceamento trata basicamente do ajuste de volumes de cada instrumentos e da relação intrínseca entre mixagem e arranjo. O livro define 5 elementos do arranjo: a fundação ou seção rítmica, ou em bom português a cozinha, normalmente baixo e bateria, às vezes só a bateria, às vezes uma guitarra base percussiva no tempo; a base (Pad), um teclado base, guitarra base, o baixo em um trio de virtuosos (No Rush – outra vez – o papel de fazer o pad é alternado entre baixista e tecladista Geddy Lee e o guitarrista Alex Lifeson); o ritmo, ou contratempo, que pode ser uma guitarra que dialoga com a cozinha, ou uma percussão; o lead, ou principal, normalmente um vocal ou um solo instrumental; e as perfumarias (fills), um tecladinho que aparece aqui e ali na pausa do vocal, um sininho, enfim, o que você colocar na música que à primeira vista ninguém canta, mas que quem ouve várias vezes fica encantado ao perceber pela primeira vez. Recomenda-se que uma música tenha no máximo 4 elementos juntos de cada vez, ou o som ficará sobrecarregado, ou alguém pode sumir na mixagem.


Mixer do CUBASE

9.B) Panorama trata do ambiente estéreo, equilibrar os instrumentos entre os lados esquerdo e direito, deixando alguns elementos centrais. Tem bastante relação com o tópico dimensão, na tentativa de posicionar o sinal para o ouvinte. Quando se trata de mixagem em sorround, o processo é ainda mais complexo, pois são 5 saídas que devem ser consideradas!


Avaliação do sinal estéreo pelo IXL

9.C) Equalização seria encontrar o espaço de cada instrumento dentro das diversas bandas de freqüência disponíveis. Basicamente, se se pretende reforçar uma determinada freqüência de um instrumento, melhor reduzir todos os demais nesta mesma freqüência, o efeito é bastante parecido, mas ressalta melhor na música. Cada freqüência tem seu impacto na música, e equalizar permite se obter o melhor para o resultado final. Há diversas sutilezas e dicas neste tópico que podemos achar na bibliografia indicada, mas o importante é tentar fazer com que todas as freqüências sejam bem representadas, e que todos os instrumentos fiquem nítidos.


Espectro harmônico de uma música

9.D) O tópico dimensão trata das propriedades espaciais da música. Basicamente é para obter perspectiva de dimensão (profundidade, grandeza, largura, perto, longe) que se usam tantos reverbers e delays. De novo há várias maneiras de fazer, a melhor dica que posso dar é que em muitos casos é interessante trabalhar os delays no ritmo da música, e para isso é só ter em mente que 60000/BPM indica o tempo da batida 4/4 (1). Múltiplos menores (ou maiores) baseados neste valor trazem sensações interessantes à música. Eu quase sempre uso delays no tempo.

9.E) A dinâmica explica a variação de nível sonoro da música, elemento que acaba sendo controlado por compressores, barreiras de ruído (noise gates) e limitadores. O primeiro ponto importante para compreender dinâmica é entender de níveis sonoros. Tentando ser simplista, podemos definir o sinal sonoro em valores médios (RMS) e valores de pico. O valor RMS mostra a energia do som, ou o volume perceptível (loudness). O valor de pico mostra a amplitude máxima do sinal sonoro. De modo geral, os sons gravados tendem a ser normalizados no nível de 0dB pico, porque valores de pico maiores que 0dB tendem a provocar distorção nos sinais, seja porque não há valor correspondente durante a conversão digital, seja porque os elementos analógicos saturam (fitas magnéticas, etc.). A teoria é bem mais complexa, mas basta saber que se houver um pico acima de 0dB, geralmente sua música vai perder informação quando for gravada num CD. Os elementos que trabalham sobre a dinâmica, como compressores e expansores, operam a relação entre o nível médio do sinal e seu valor de pico.



Medidor k14 desenvolvido por Bob Katz, e efeito simplificado da compressão em um sinal sonoro

Quanto mais dinâmica, maior variação do nível sonoro, e maior a distância entre o valor RMS médio da música e seu valor de pico. Quando se comprime um sinal, os valores de pico são achatados, e após o ganho de saída, podemos observar que a diferença que havia entre o pico e o valor RMS diminuiu. Há diversas aplicações e outros controles para os compressores, e em outras fontes bibliográficas você pode se aprofundar nos detalhes. O problema da hipercompressão, citado em vários artigos técnicos e muito discutido no livro de Bob Katz, deriva de uma tentativa de manipular a dinâmica de modo a obter um som mais alto (loudness) para o mesmo ajuste de volume de saída. Isto acaba prejudicando a dinâmica, produzindo uma música estressante e sem surpresas.

9.F) O interesse, por fim, seria uma tentativa de construir uma história com sua música. Pensar sua música como um filme, com início, meio e fim, com clímax, com momentos de tensão, com o desenrolar da trama. Porque alguém gostaria de ouvir sua música? Desenvolva os aspectos emocionais da música, enfatize o elemento mais importante, deixe claro quais sais os elementos importantes em cada parte da música, às vezes a voz, em alguns casos o ritmo, um solo, um momento introspectivo, etc.
Enfim, mixagem é um tema complexo que se aprende estudando, praticando e discutindo com outras pessoas.

10) Por fim, acontece a masterização. Com a mixagem de cada faixa pronta, é preciso adequar sua música aos padrões de representação sonora de modo que ela seja reproduzida com qualidade em diversos tipos diferentes de equipamentos. Além disso, a masterização tem como foco a junção das diversas músicas para construir um álbum completo.
A masterização é um processo seqüencial à mixagem importantíssimo, mas, no meu entedimento, em pelo menos um caso a masterização pode ser deixada de lado: Para divulgar músicas na Internet, use a versão final da mixagem. A proposta da masterização tem a ver com o meio de divulgação da música. Eventualmente o processo de masterização também é aplicado a filmes, difusão de TV e rádio, mas para divulgar na Internet, a não ser que você pretenda deixar o conjunto das suas músicas com cara de álbum, é possível deixar a masterização de lado.
A masterização pretende limpar, nivelar e processar as faixas de um álbum de modo a gerar um modelo master que poderá ser copiado infinitamente. Pode-se trabalhar faixa a faixa ou todas elas de modo sequencial. Coisas muito importantes na masterização são o espaçamento entre músicas, fade in, fade out, e o dithering (dithering é o tratamento de ruído necessário para evitar problemas quando se reduz a resolução digital de um sinal qualquer - de 24 bits para 16 bits, por exemplo - de modo a evitar truncamentos e distorções agressivas ao ouvido).
Esta etapa funciona também como uma revisão do trabalho efetuado durante a mixagem, apenas com a limitação de que não se pode trabalhar individualmente com cada instrumento, e sim com o conjunto da música. A masterização até pode consertar algumas falhas de uma mixagem mal-feita, mas não opera milagres. O foco da masterização é a música como um todo, e não mais o pedaços da mixagem. Não dá mais para consertar a equalização da bateria sem interferir com o timbre do baixo ou da voz! Os efeitos VST citados anteriormente também podem ser usados aqui, apesar de haver um uso ligeiramente maior em compressores multibanda e equalizadores.
A maioria das referências lidas recomenda veementemente que, caso seja preciso masterizar, seja escolhido um profissional experiente e qualificado no mercado. Ao contrário da mixagem, cujo objetivo normalmente é menos ambicioso, a masterização tem uma proposta muito séria, e como tal deve ser tratada.

Última edição por allneri em Qua Jan 14, 2009 11:01 am, editado 1 vez(es)

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Mensagem em Dom Jan 11, 2009 3:12 pm por allneri

Epílogo

Eu estou desenvolvendo este texto há mais de 6 meses, desde que me deparei com as dificuldades de um iniciante frente ao mundo da música digital. Como engenheiro eletricista, boa parte dos termos técnicos, como sinais digitais e analógicos, FFT, frequências, harmônicos e afins para mim são óbvios, então peço desculpas se esqueci de explicar algo importante.
Eu entendo o fórum como um ambiente de discussão e de compartilhamento de experiências e de recursos, e portanto só tenho a agradecer aos administradores, que fazem um trabalho de qualidade.
99% deste texto é copiado, a única diferença é a forma de sistematizar as informações, de modo a facilitar a vida de quem quer fazer uma música e não sabe como prepará-la/produzí-la para que ela fique aceitável.
Música é tão ciência quanto arte. Sem a ciência, toda vez teríamos que musicalmente reinventar a roda. Sem a arte, quão enfadonha a música seria!
Por ser ciência e arte, ficam as duas dicas: Estude, como qualquer matéria de faculdade, pois isso vai ter resultado no seu trabalho; Seja criativo, como em qualquer obra inovadora, pois isso vai fazer a diferença.

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Mensagem em Dom Mar 01, 2009 11:50 am por NetoCruz

Ótimo artigo, allneri! Várias coisas explanadas eu já conhecia, mas alguns pontos, em especial a parte de mixagem, eram meio obscuros ainda para mim.

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Mensagem em Ter Mar 31, 2009 8:23 pm por ssm

Valeu pelo texto Allneri... pra mim que sou iniciante é um ótimo começo!!
brigadão!!!!

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